segunda-feira, 13 de julho de 2020

“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 4-6”


“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 4

 

APOCALIPSE 17:1-6,9 Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam sobre a terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição. Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres. A mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas; e tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações, e da imundícia da prostituição; e na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração... Aqui está a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada;”

 

VEIO UM DOS SETE ANJOS QUE TÊM AS SETE TAÇAS E FALOU COMIGO, DIZENDO: VEM, MOSTRAR-TE-EI… A repetição literal dessa expressão em Apocalipse 21:9 contudo não relacionada com a prostituta, e sim com a noiva do Cordeiro, mostra com a desejável clareza que a prostituta e a noiva são entendidas como dois tipos opostos. Esse dado é importante também para a interpretação da prostituta no presente capítulo. O anjo tenciona mostrar a João O JULGAMENTO [GR. KRIMA = A SENTENÇA CONDENATÓRIA] DA GRANDE MERETRIZ. Esta demonstração está combinada com uma intenção mais profunda. JOÃO E AS IGREJAS DEVEM DESMASCARAR E RECONHECER ESSE PERSONAGEM DE TAL MANEIRA QUE JAMAIS SE DEIXEM ENGANAR PELA PROSTITUTA E NÃO A CONFUNDAM UM INSTANTE SEQUER COM A NOIVA. Seria possível uma confusão assim? Sem dúvida, se o Espírito Santo (v. 3 “Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres.”) não desfizer a sedução e o engano. Que ninguém tenha excessiva autoconfiança!

 

Com essa prostituta SE PROSTITUÍRAM OS REIS DA TERRA; E… SE EMBEBEDARAM OS QUE HABITAM NA TERRA. Com certeza entre eles está também o povo judaico (como já afirmado em Ezequiel 23:14-17 “Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, de sorte que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela como Gomorra. Portanto assim diz o Senhor dos exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra. Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis ouvidos as palavras dos profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: Paz tereis; e a todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós.”).

 

Porém de forma alguma a afirmação permite fixar os pensamentos no Israel renegado. Portanto, a premissa básica dessa cultura e civilização, por meio da qual a Babilônia mantém sob o seu fascínio os povos, é a “prostituição”, o desenfreamento. Para ela a rigor tudo é permitido e nada constitui uma verdade compromissiva. Toda espécie de vínculo com os mandamentos de Deus é queimada, de modo a desenvolver sobre essa cratera de vulcão um modo de vida sem Deus e sem Cristo. Embora essa cultura, como evidenciará o v. 3 de Apocalipse 17, gere uma extraordinária força de propaganda, João profetiza que no final ela conduz ao caos. O quadro essencial – desenfreamento devastador – impõe-se ao quadro de aparente esplendor, o caos interior manifesta-se para fora. Todo o mundo que a seguiu torna-se uma cratera extinta e um fumegante campo de ruínas. Um dia o mundo terá a aparência que ele já possuía há muito nas cabeças e nos corações.

 

TRANSPORTOU-ME O ANJO, EM ESPÍRITO… Como em Apocalipse 1:10; 4:2; 21:10, esta formulação introduz o novo enfoque de uma série de visões. Por si só já é significativo que João veja a florescente cidade no DESERTO, ou seja, no juízo. Ela ainda não percebe que já está marcada pelo juízo. Ela sonha de tudo, menos com seu fim. “E disseste: Eu serei senhora para sempre! Até agora não tomaste a sério estas coisas, nem te lembraste do seu fim” (Leia Isaías 47:7). E VI UMA MULHER MONTADA NUMA BESTA ESCARLATE, BESTA REPLETA DE NOMES DE BLASFÊMIA, COM SETE CABEÇAS E DEZ CHIFRES. De modo exato, embora abreviado, este animal de montaria é identificado com a besta do cap. 13, o poder anticristão.

 

Não se deve depreender do texto a subjugação da besta pela prostituta. Os orientais sentiam, antes, a união entre cavaleiro e montaria. Retrataram numerosos deuses e deusas montadas, a fim de simbolizar a força dessas divindades, às quais estavam aliados.

 

É desse modo que a cultura do mundo está se aliando ao poder da besta. É sua decisão anticristã (v. 6 “E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração”) que lhe confere vida, que a sustenta (v. 7 “Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres.”), que a eleva e que fará com seja arruinada (v. 16 “E os dez chifres que viste, e a besta, estes odiarão a prostituta e a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.”). Contudo, por enquanto ela continua sentada sobre a besta, sem desconfiar de nada, e apaixonada por si própria, VESTIDA DE PÚRPURA E DE ESCARLATA. A púrpura, de cor vermelho escura, é cor de reinado (Lucas 16:19 “Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente.”). De forma alguma exibe-se desde logo a embriaguez com o sangue do v. 6.

 

Ela exibe uma riqueza tão incalculável que o espectador desta figura brilhante e ofuscante fica totalmente atordoado. De acordo com Apocalipse 18:7 (“Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o pranto.”) ela se glorifica a si mesma. O louvor próprio desenfreado é característico da Babilônia. Em Apocalipse 3:17 (“Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;”) essa marca se manifesta dentro da igreja.

 

Radiante de felicidade fascinante, a prostituta estende ao mundo inteiro o cálice de ouro e, a seu modo, convida para a “santa ceia”: TENDO NA MÃO UM CÁLICE DE OURO. Na realidade o vinho era símbolo da alegria de viver. Contudo nesse caso estava em jogo a mentira. O exterior e o interior do cálice formam um contraste mordaz. Está TRANSBORDANTE DE ABOMINAÇÕES E COM AS IMUNDÍCIAS DA SUA PROSTITUIÇÃO. No antigo testamento ambas as expressões ocorrem paralelas e designam o mundo gentio. João recua horrorizado diante do conteúdo do cálice que exteriormente é tão deslumbrante. Acaso a Babilônia não se apresentava intencionalmente como superação dos cultos primitivos, acaso não se elevava acima das planuras da superstição, até os píncaros da erudição e do iluminismo? Entretanto, o que ela proporciona depois mais uma vez não passa de superstição.

        

É por isso que ela gosta de se servir da cultura e de seus recursos inebriantes. Esta é, portanto, a solução perfeita: em primeiro plano a mulher fascinante, no fundo os dentes arreganhados da besta, caso os seres humanos se tornem atrevidos demais.

 

Tão grande quanto é a Babilônia, tão grande é sua prostituição. Sua magnitude é aquela desenvolvida pela prostituição, É por isso que não se deve simplesmente igualar a Babilônia com a cultura e depreender do Apocalipse hostilidade à cultura. Contudo, como a Bíblia toda, o Apocalipse é implacavelmente crítico em relação à cultura. De forma alguma ele permite que lhe seja negado a aplicação de parâmetros éticos e espirituais.

 

Agora é que chega ao auge o diagnóstico da natureza da mulher.

 

Uma segunda vez dentro dessa visão, João escreve: ENTÃO, VI. Nesse último desmascaramento ele estremece (v. 6b). Viu A MULHER EMBRIAGADA COM O SANGUE DOS SANTOS E COM O SANGUE DAS TESTEMUNHAS DE JESUS. Observado mais de perto, o vinho da prostituição transforma-se no sangue dos santos. Com isso é dado o ponto da virada. A Babilônia não é apenas cultura sem Deus, mas também cultura contra Cristo. Justamente por ser cultura sem Deus, ela tem de entrar em conflito com aqueles que persistentemente falam Deus. Talvez as igrejas tivessem esperança de que, com sua palavra de paz e reconciliação para todos os povos e classes, elas não encontrariam a mesma rejeição como o tom arrogante da sinagoga. Contudo, enquanto a Babilônia for Babilônia ela tomará um rumo anticristão se a igreja for verdadeiramente igreja.

 

Esta guinada da opinião geral contra os cristãos aconteceu claramente mais tarde. Não foi possível provar que cometiam atrocidades, e apesar disto eram acusados de “inimigos do Estado” e de “odiarem a espécie humana” (Em Tertuliano, Liber apologeticus 4, e Tácito, Anais vol. v, pág.44.). Porque, enquanto se retraíam, como os judeus, de grande parte do convívio e do culto helenista, ao mesmo tempo penetraram – como os judeus não faziam na mesma medida – em todos os povos e segmentos, e retiravam pessoas convertidas de todos os estamentos. Nesse ponto impunha-se ao mundo em volta a impressão de uma hostilidade à sociedade. Obviamente eles não se tornavam puníveis em contravenções legais. Contudo, as asserções dos cristãos não tinham força alguma para mudar esta suspeita.

 

Desde bem cedo a Babilônia foi interpretada como sendo a Roma papal, depois também como sendo genericamente cada igreja adaptada ao mundo, que se afastou de seu “marido”, ou seja, o Deus vivo, e se “prostitui” com o Estado, ao passo que persegue brutalmente os verdadeiros discípulos de Jesus, causando mais mártires que os imperadores da Roma gentílica, “ébrios do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus”.

 

Em primeiro lugar o texto não nos deixa à vontade para de antemão entendermos a “Babilônia”, cidade de comerciantes, como uma igreja. É verdade que tão logo uma igreja se torne uma “casa de negócio” no sentido de João 2:16 – observamos essa tendência e as características típicas em Laodicéia – ela adquire participação no modo de ser babilônico. Uma coisa gera a outra, até chegar à fogueira inquisitorial. Entretanto, há diversas “fogueiras” e diversos “papados”, e nem sempre apenas nos outros!

 

A exegese mais recente interpreta a Babilônia como sendo a Roma gentílica, apoiando-se na circunstância de que no judaísmo daquele tempo “Babilônia” era um criptônimo muito usado para Roma e o Império Romano.

 

A maioria dos exegetas não consegue mais soltar-se da referência superficial do texto a Roma e interpreta os “reis” como a série de imperadores romanos do primeiro século; existem várias interpretações que fazem de tudo para provar que se trata de Roma; porém, todas essas interpretações geram contradições históricas e não deveriam ser apresentadas por uma exegese histórica.

 

Ireneo já demandava uma interpretação da passagem com ajuda do livro de Daniel, uma interpretação que, portanto, não fosse orientada pela história contemporânea, mas pelo que se acha nos profetas. Essa leitura pode ser fortalecida pelas pontes lingüísticas entre Apocalipse 17 e Daniel. Aí invés de uma série de imperadores, é preciso recorrer a Daniel para construir a série de impérios mundiais.

 

Tendo em mente o uso consistentemente simbólico dos números no Ap, ouçamos inicialmente o sete, esse número simbólico de primeira grandeza. Nos sete “reis”, i.é, reinos, vemos o número pleno dos reinos dessa era mundial como um único elevado panorama montanhoso. A Babilônia está entronizada sobre essas potências mundiais. Contudo, o fato de que esses “montes” que se acumulam e são contrários a Deus estão submetidos ao número sete comunica ao povo de Deus que eles estão domados dentro de uma medida fixada por Deus. Ele providencia para que as potências não cresçam até o céu nem até a eternidade.

 

Por enquanto, porém, o sete ainda não está completo, mas já passaram cinco. Cinco reinos passados, isso significa, pois, que algo já foi arredondado.

 

Ao mesmo tempo o cinco é um antigo número divisor. Algo ainda está para vir, mas também o restante das constelações de poder cairá. Por fim, todas ruirão.

 

Sem ênfase alguma o texto fala do presente: “um existe” (v.10) – como se falasse do vento! Esse “um” seria o sexto, mas no atual contexto não se dá peso ao número seis.

 

No v.11 aparece em oitavo lugar o personagem que interessa no presente contexto. Por natureza o oitavo pertence aos sete, trazendo, por isso, as características de todas as potências mundiais, a característica de felino.



“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 5


Apocalipse 18:4,5 Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam (como uma montanha) até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou.”

 

RETIRAI-VOS DELA, POVO MEU.

 

O primeiro a fazer isso foi Abraão, saindo de Harã, confiando no chamado de Deus (Gn 12:1-4)

 

Falar de Babilônia (em se tratando do livro do Apocalipse) não é falar de uma cidade literalmente, não é falar de uma Babilônia geográfica, e sim de um sistema que tem o poder de enriquecer, corromper, escravizar, seduzir.

 

Babilônia vai ser chamada de a grande cidade, cidade delimita fronteiras, imaginemos uma cidade murada, uma verdadeira prisão, uma verdadeira Matrix, uma verdadeira ilusão, onde pessoas são controladas, escravizadas, e onde o sistema exerce sua influência, seu poder sedutor.

 

Esse sistema aparece na figura de uma mulher prostituta assentada sobre as águas que simboliza as nações.

 

Logo, Babilônia trata-se de um sistema prostituído, que não está limitado a uma região específica, mas espalhado e presente em todas as nações do mundo sem exceção; sistema este, que seduz, levando os homens a enriquecerem por meio dele, se envolvendo e se corrompendo com tal sistema, se deixando ser escravizado pelo mesmo, que está atualmente sob a influência do theos deste século, o espírito das potestades que agora opera nos filhos da desobediência.

 

A exortação no referente texto é para um deslocamento de fiéis não de uma cidade em si, pois o povo de Deus se encontra entre todas as nações da terra inteira.

 

Não se trata de um êxodo geográfico.

 

Sair de uma posição geográfica e ir para outra, sem haver uma ruptura e um sair desse sistema descrito na figura de Babilônia e de uma prostituta, significa estar novamente na Babilônia, pois neste caso, a Babilônia tem dimensões mundiais.

 

A Babilônia corrompe e leva o ser humano levando-o para fora e distante da vontade de Deus.

 

Sair da Babilônia, fala de uma fuga para dentro da prática da vontade de Deus.

 

Quem cumpre a vontade de Deus, e não se deixa ser seduzido e corrompido por tal sistema prostituído controlado pelo theos deste século, não desaparece com a Babilônia, mas permanece eternamente (1 João 2:15-17)

 

Satanás usou essa tática para seduzir e corromper o Filho de Deus!

 

O êxodo desta exortação tem dupla finalidade:

 

1)    PARA NÃO SERDES CÚMPLICES EM SEUS PECADOS.

 

Quando José se separou tão abruptamente da esposa de Potifar [Gênesis 39:12], ele o fez seguramente por amor a Deus, porém em última análise também a partir de um amor, corretamente entendido, por essa irmã humana.

 

2)   PARA NÃO PARTICIPARDES DOS SEUS FLAGELOS.

 

Participar da Babilônia significa afundar com a Babilônia (Jeremias 51:6,45).

 

Sair desse sistema prostituído, é indispensável para ser e permanecer sendo um cristão autêntico, uma igreja autêntica.

 

O juízo divino virá sobre este presente sistema na figura de Babilônia e de prostituta, e a justificativa é: V 5 PORQUE OS SEUS PECADOS SE ACUMULARAM ATÉ AO CÉU.

 

Pense numa montanha de pecados que se amontoa até o céu, atingindo o limite permitido por Deus.

 

Daí Deus responde. E DEUS SE LEMBROU DOS ATOS INÍQUOS QUE ELA PRATICOU.




“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 6

 

Apocalipse 18:6-8 Tornai a dar-lhe como também ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o pranto. Por isso, num mesmo dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será consumida no fogo; porque forte é o Senhor Deus que a julga.”

Essas solicitações seguramente dirigem-se a anjos do juízo, cuja incumbência é executar a vingança de Deus. Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.

 

Nem em pensamentos deveríamos atribuir a Deus uma avidez desmedida por vingança. A cada passo o Apocalipse atesta sua justiça perfeita. A medida dobrada para a Babilônia explica-se pelo fato de que a Babilônia não apenas viveu em pecado ela mesma, mas também se tornou adicionalmente um poder de sedução de primeira grandeza, que arrastava o mundo inteiro para o seu pecado. Por isso cabe-lhe não somente uma medida de castigo para suas ações blasfemas diretas, mas uma segunda medida pela culpa alheia, pela qual ela foi co-responsável.

 

Em Gálatas 6:7 Paulo esclarece as correlações por meio de uma metáfora: “aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. A colheita sempre é multiplicação da semente. Colhe-se uma quantia muitas vezes maior que o número de grãos espalhados. “Semeiam ventos e segarão tormentas” (Oséias 8:7). Essa verdade é válida tanto no bem como no mal. É por isso que pecar é tão terrível, possui tão longo alcance e traz tantas conseqüências. Unicamente o poder de Jesus sobre a morte pode consertar o que nós erramos e o que outros erraram através de nós.

           

A continuação nos v.7,8 mostra que de forma alguma o v.6 deve ferir o rigoroso princípio da correspondência entre culpa e castigo. O QUANTO A SI MESMA SE GLORIFICOU E VIVEU EM LUXÚRIA, DAI-LHE EM IGUAL MEDIDA TORMENTO E PRANTO. Em primeiro lugar havia no centro de seu pecado essa autoglorificação, que violava o Soli Deo Gloria [Somente a Deus dai glória]. “Se houve arrogantemente contra o Senhor, contra o Santo de Israel” (Jeremias 50:29). É por isso que Deus “será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta… só o Senhor será exaltado” (Isaías 2:12-17; cf. Isaías 5:16).

 

O envio de Jesus inseriu-se integralmente nesse serviço de aplainar todas as elevações antidivinas (Lucas 1:51). À autoglorificação da Babilônia correspondia a vida na luxúria (cf. v.3,9), pois quem gosta de se gabar também gosta de gastar. A punição, no caso, é o despovoamento, como indica o lamento fúnebre (cf. abaixo).

 

Segue-se uma segunda correspondência. PORQUE DIZ CONSIGO MESMA (“Pois dizia em seu coração”). Tanto no antigo testamento quanto no novo testamento esse “falar no coração” evoca conversas funestas consigo mesmo. Elas constituem o contraste perfeito da existência em oração. A pessoa é seu próprio deus, comparece diante de seu próprio tribunal e gira em torno de si mesma ao invés de orar. É fácil adivinhar o conteúdo: está determinado por aquela avidez auto-satisfeita, acompanhada de incrível cegueira sobre si próprio, como já sempre foi característico para pessoas que se encontravam a um passo da queda.

 

Estreitamente apoiada em Isaías 47:5,7,8, a Babilônia diz: ESTOU SENTADA (“entronizada”) COMO RAINHA. Essa cultura já pratica um culto a si mesma. Gira em torno do próprio trono.

 

VIÚVA, NÃO SOU, diz a “mãe” Babilônia e olha para o corre-corre nas ruas amplas, nas lojas movimentadas e nos programas noturnos. PRANTO, NUNCA HEI DE VER! (“E lamento fúnebre nunca hei de ver” [tradução do autor]). Ela se sente segura como se fosse por mil anos (Daí entendemos o que Paulo escreveu em 1 Tessalonicenses 5:1-3 “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão.”).

 

Como resposta precisa a seu falar, ouve-se: POR ISSO, EM UM SÓ DIA, SOBREVIRÃO OS SEUS FLAGELOS. Seu solilóquio megalômano foi “auscultado” e agora recebe uma resposta por parte de Deus. Ela, que se comporta como cidade eterna, é arrasadoramente passageira. O motivo de um único dia já transpareceu em Apocalipse 17:12 e se intensifica em Apocalipse 18:10,17,19, formando a menção sobre uma só hora.

 

Em seguida anuncia-se a tradicional trindade de flagelos MORTE, PRANTO (“lamento fúnebre”, “luto” E FOME. Por trás está o despovoamento através de guerra e peste, que desencadeia o sofrimento da “viúva” Babilônia e não lhe permite nada além de vegetar na fome e na pobreza. O incêndio também faz parte dessas correspondências. E SERÁ CONSUMIDA NO FOGO.

 

No v.10 constará: “Tu, poderosa cidade!” Essa impressão humana está sendo corrigida agora: Deus é poderoso! PORQUE PODEROSO É O SENHOR DEUS, QUE A JULGOU. Enquanto Deus na verdade aparece no antigo testamento como forte campeão guerreiro, no novo testamento acontece uma depuração. Deus é forte por meio de seus argumentos fortes na disputa legal. E, por ter razão, a razão também lhe é dada de modo irrefutável.

 

Na primeira metade o v.21 contém a própria ação. ENTÃO, UM ANJO FORTE LEVANTOU UMA PEDRA COMO GRANDE PEDRA DE MOINHO. A potência do anjo erguido e a ênfase na magnitude da pedra não permitem pensar na pedra de um moinho manual, um disco com diâmetro de apenas meio metro, que qualquer mulher poderia acionar. Em contrapartida, a pedra de um “moinho de burros” (como em Mateus 18:6; Marcos 9:42) possuía o peso de uma carga de camelo. Ela era girada por dois burros. No centro encontrava-se um furo. Assim, objetos podiam ser afixados nela e afundados com a pedra.

 

De acordo com Jeremias 51:63,64, Jeremias procede ao afundamento profético de uma pedra assim com um livro atado nela. “Assim será afundada a Babilônia e não se levantará” (v.64). O livro também ficaria por si só encharcado de água e afundaria aos poucos, mas nesse ínterim alguém poderia pescá-lo e salvá-lo. A pedra de moinho, no entanto, arrasta-o rápida e irremediavelmente para o fundo. No próximo instante está desaparecido. Também no texto em análise a ênfase reside em que a ação de juízo não permite notar nada que desse oportunidade a qualquer intervenção. A pedra é lançada com ímpeto, com violência, e não pode ser detida.

 

Harriet Beecher-Stowe encerrou sua obra famosa A Cabana do Pai Tomás com a frase: “Tão certo como uma pedra de moinho afunda no oceano, abate-se sobre nações injustas e cruéis a ira de Deus”.

 

ASSIM, COM ÍMPETO, SERÁ ARROJADA BABILÔNIA, A GRANDE CIDADE, E NUNCA JAMAIS SERÁ ACHADA. Esse desaparecimento sem deixar vestígios, como acontece justamente no afogamento, repete-se nos v.21-23 e 14, ao todo sete vezes. A destruição da Babilônia é irrevogável e definitiva. Não existe um ponto final mais claro.

 

E NELA SE ACHOU SANGUE DE PROFETAS, DE SANTOS E DE TODOS OS QUE FORAM MORTOS SOBRE A TERRA. Foi portanto essa a razão por que todas as boas dádivas dos v. 21-23 não mais foram achadas na Babilônia, porque em suas ruas foi encontrado o sangue das testemunhas de Deus. O fato de que a cidade silenciou esses lábios e lançou ao vento a última advertência deles (Apocalipse 11:7) acarretou o ponto final para sua história de culpa.

 

Está pressuposto que essas testemunhas se posicionaram em nome de Deus a favor das pessoas e contra aquela ideologia de mercador. Assim como no passado no Egito Deus reclamou seus seres humanos da escravidão através de Moisés e Arão, assim a ação se repete no fim dos dias. Contudo, como no passado o Faraó, a Babilônia se opõe e também é esmagada como aquele reino ou afundada no mar como uma pedra.

 

À expressão SANGUE DE PROFETAS, DE SANTOS corresponde “sangue de santos e testemunhas” em Apocalipse 17:6, de sorte que em concordância com o cap. 11 resulta a equação profetas = testemunhas. A omissão dos “apóstolos” do v. 20 não significa que o sangue deles foi derramado por alguém diferente, mas no v. 20 “apóstolo” foi simplesmente acrescentado para formar ali o número de três.

 

Seria o adendo E DE TODOS OS QUE FORAM MORTOS SOBRE A TERRA tão-somente uma formulação paralela ao pensamento já externado? Recordando Jeremias 51:49, compreendemos essa metade do versículo como ampliação autêntica. Além dos mártires cristãos, são lembrados agora todos os assassinados. Quem elimina o testemunho cristão, vai de injustiça em injustiça. É por isso que o fim desse derramamento de sangue pela Babilônia também será o fim de todo o derramamento de sangue.

 

E é Deus que trará esse fim!

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