“ANÁLISE
PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 4”
APOCALIPSE 17:1-6,9 “Veio
um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem,
mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas
águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam sobre a
terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição. Então ele me levou em
espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que
estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres. A
mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada de ouro, pedras
preciosas e pérolas; e tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações, e
da imundícia da prostituição; e na sua fronte estava escrito um nome simbólico:
A grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra. E vi
que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos
mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração... Aqui está
a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a
mulher está assentada;”
VEIO UM DOS SETE ANJOS QUE TÊM AS SETE TAÇAS E FALOU
COMIGO, DIZENDO: VEM, MOSTRAR-TE-EI… A repetição
literal dessa expressão em Apocalipse
21:9 contudo não relacionada com a prostituta, e sim com a noiva do Cordeiro,
mostra com a desejável clareza que a prostituta e a noiva são entendidas como
dois tipos opostos. Esse dado é importante também para a interpretação da
prostituta no presente capítulo. O anjo tenciona mostrar a João O JULGAMENTO [GR. KRIMA = A SENTENÇA
CONDENATÓRIA] DA GRANDE MERETRIZ. Esta demonstração está combinada com uma
intenção mais profunda. JOÃO E AS IGREJAS DEVEM DESMASCARAR E RECONHECER ESSE PERSONAGEM DE
TAL MANEIRA QUE JAMAIS SE DEIXEM ENGANAR PELA PROSTITUTA E NÃO A CONFUNDAM UM
INSTANTE SEQUER COM A NOIVA. Seria possível uma confusão assim? Sem
dúvida, se o Espírito Santo (v.
3 “Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada
numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que
tinha sete cabeças e dez chifres.”) não desfizer a sedução e o engano. Que ninguém tenha excessiva autoconfiança!
Com essa prostituta
SE PROSTITUÍRAM OS REIS DA TERRA; E… SE
EMBEBEDARAM OS QUE HABITAM NA TERRA. Com certeza entre eles está também o
povo judaico (como já afirmado em Ezequiel 23:14-17 “Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa
horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos
malfeitores, de sorte que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado
para mim como Sodoma, e os moradores dela como Gomorra. Portanto assim diz o
Senhor dos exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e
lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a
contaminação sobre toda a terra. Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis
ouvidos as palavras dos profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos
vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. Dizem
continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: Paz tereis; e a todo o que
anda na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós.”).
Porém de forma
alguma a afirmação permite fixar os pensamentos no Israel renegado. Portanto, a
premissa básica dessa cultura e civilização, por meio da qual a Babilônia
mantém sob o seu fascínio os povos, é a “prostituição”, o desenfreamento. Para
ela a rigor tudo é permitido e nada constitui uma verdade compromissiva. Toda
espécie de vínculo com os mandamentos de Deus é queimada, de modo a desenvolver
sobre essa cratera de vulcão um modo de vida sem Deus e sem Cristo. Embora essa
cultura, como evidenciará o v. 3 de Apocalipse 17, gere uma extraordinária
força de propaganda, João profetiza que no final ela conduz ao caos. O quadro
essencial – desenfreamento devastador – impõe-se ao quadro de aparente
esplendor, o caos interior manifesta-se para fora. Todo o mundo que a seguiu
torna-se uma cratera extinta e um fumegante campo de ruínas. Um dia o mundo
terá a aparência que ele já possuía há muito nas cabeças e nos corações.
TRANSPORTOU-ME O ANJO, EM ESPÍRITO…
Como em Apocalipse 1:10; 4:2; 21:10, esta formulação introduz o novo enfoque de
uma série de visões. Por si só já é significativo que João veja a florescente
cidade no DESERTO, ou seja, no
juízo. Ela ainda não percebe que já está marcada pelo juízo. Ela sonha de tudo,
menos com seu fim. “E disseste: Eu serei senhora para sempre! Até agora não
tomaste a sério estas coisas, nem te lembraste do seu fim” (Leia Isaías 47:7). E VI UMA MULHER MONTADA NUMA BESTA
ESCARLATE, BESTA REPLETA DE NOMES DE BLASFÊMIA, COM SETE CABEÇAS E DEZ CHIFRES.
De modo exato, embora abreviado, este animal de montaria é identificado com a
besta do cap. 13, o poder anticristão.
Não se deve
depreender do texto a subjugação da besta pela prostituta. Os orientais
sentiam, antes, a união entre cavaleiro e montaria. Retrataram numerosos deuses
e deusas montadas, a fim de simbolizar a força dessas divindades, às quais
estavam aliados.
É desse modo que a
cultura do mundo está se aliando ao poder da besta. É sua decisão anticristã (v. 6 “E vi que a mulher
estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus.
Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração”) que lhe confere vida, que a
sustenta (v. 7 “Ao
que o anjo me disse: Por que te admiraste? Eu te direi o mistério da mulher, e
da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres.”), que a eleva e
que fará com seja arruinada (v.
16 “E os dez chifres que viste, e a besta, estes odiarão a prostituta e
a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.”).
Contudo, por enquanto ela continua sentada sobre a besta, sem desconfiar de
nada, e apaixonada por si própria, VESTIDA
DE PÚRPURA E DE ESCARLATA. A púrpura, de cor vermelho escura, é cor de
reinado (Lucas 16:19
“Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e
todos os dias se regalava esplendidamente.”). De forma alguma exibe-se desde
logo a embriaguez com o sangue do v. 6.
Ela exibe uma
riqueza tão incalculável que o espectador desta figura brilhante e ofuscante
fica totalmente atordoado. De acordo com Apocalipse 18:7 (“Quanto ela se glorificou, e em
delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu
coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o
pranto.”) ela se glorifica a si mesma. O louvor próprio desenfreado é
característico da Babilônia. Em Apocalipse 3:17 (“Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido,
e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e
cego, e nu;”) essa marca se manifesta dentro da igreja.
Radiante de
felicidade fascinante, a prostituta estende ao mundo inteiro o cálice de ouro
e, a seu modo, convida para a “santa ceia”: TENDO NA MÃO UM CÁLICE DE OURO. Na realidade o vinho era símbolo da
alegria de viver. Contudo nesse caso estava em jogo a mentira. O exterior e o
interior do cálice formam um contraste mordaz. Está TRANSBORDANTE DE ABOMINAÇÕES E COM AS IMUNDÍCIAS DA SUA PROSTITUIÇÃO.
No antigo testamento ambas as expressões ocorrem paralelas e designam o mundo
gentio. João recua horrorizado diante do conteúdo do cálice que exteriormente é
tão deslumbrante. Acaso a Babilônia não se apresentava intencionalmente como
superação dos cultos primitivos, acaso não se elevava acima das planuras da
superstição, até os píncaros da erudição e do iluminismo? Entretanto, o que ela
proporciona depois mais uma vez não passa de superstição.
É por isso que ela
gosta de se servir da cultura e de seus recursos inebriantes. Esta é, portanto,
a solução perfeita: em primeiro plano a mulher fascinante, no fundo os dentes
arreganhados da besta, caso os seres humanos se tornem atrevidos demais.
Tão grande quanto é
a Babilônia, tão grande é sua prostituição. Sua magnitude é aquela desenvolvida
pela prostituição, É por isso que não se deve simplesmente igualar a Babilônia com
a cultura e depreender do Apocalipse hostilidade à cultura. Contudo, como a
Bíblia toda, o Apocalipse é implacavelmente crítico em relação à cultura. De
forma alguma ele permite que lhe seja negado a aplicação de parâmetros éticos e
espirituais.
Agora é que chega
ao auge o diagnóstico da natureza da mulher.
Uma segunda vez dentro
dessa visão, João escreve: ENTÃO, VI.
Nesse último desmascaramento ele estremece (v. 6b). Viu A
MULHER EMBRIAGADA COM O SANGUE DOS SANTOS E COM O SANGUE DAS TESTEMUNHAS DE
JESUS. Observado mais de perto, o vinho da prostituição transforma-se no
sangue dos santos. Com isso é dado o ponto da virada. A Babilônia não é apenas
cultura sem Deus, mas também cultura contra Cristo. Justamente por ser cultura
sem Deus, ela tem de entrar em conflito com aqueles que persistentemente falam
Deus. Talvez as igrejas tivessem esperança de que, com sua palavra de paz e
reconciliação para todos os povos e classes, elas não encontrariam a mesma
rejeição como o tom arrogante da sinagoga. Contudo, enquanto a Babilônia for
Babilônia ela tomará um rumo anticristão se a igreja for verdadeiramente
igreja.
Esta guinada da
opinião geral contra os cristãos aconteceu claramente mais tarde. Não foi
possível provar que cometiam atrocidades, e apesar disto eram acusados de
“inimigos do Estado” e de “odiarem a espécie humana” (Em Tertuliano, Liber apologeticus 4, e Tácito,
Anais vol. v, pág.44.). Porque,
enquanto se retraíam, como os judeus, de grande parte do convívio e do culto
helenista, ao mesmo tempo penetraram – como os judeus não faziam na mesma
medida – em todos os povos e segmentos, e retiravam pessoas convertidas de
todos os estamentos. Nesse ponto impunha-se ao mundo em volta a impressão de
uma hostilidade à sociedade. Obviamente eles não se tornavam puníveis em
contravenções legais. Contudo, as asserções dos cristãos não tinham força
alguma para mudar esta suspeita.
Desde bem cedo a
Babilônia foi interpretada como sendo a Roma papal, depois também como sendo
genericamente cada igreja adaptada ao mundo, que se afastou de seu “marido”, ou
seja, o Deus vivo, e se “prostitui” com o Estado, ao passo que persegue
brutalmente os verdadeiros discípulos de Jesus, causando mais mártires que os
imperadores da Roma gentílica, “ébrios do sangue dos santos e do sangue das
testemunhas de Jesus”.
Em primeiro lugar o
texto não nos deixa à vontade para de antemão entendermos a “Babilônia”, cidade
de comerciantes, como uma igreja. É verdade que tão logo uma igreja se torne
uma “casa de negócio” no sentido de João 2:16 – observamos essa tendência e as
características típicas em Laodicéia – ela adquire participação no modo de ser
babilônico. Uma coisa gera a outra, até chegar à fogueira inquisitorial.
Entretanto, há diversas “fogueiras” e diversos “papados”, e nem sempre apenas
nos outros!
A exegese mais
recente interpreta a Babilônia como sendo a Roma gentílica, apoiando-se na
circunstância de que no judaísmo daquele tempo “Babilônia” era um criptônimo
muito usado para Roma e o Império Romano.
A maioria dos
exegetas não consegue mais soltar-se da referência superficial do texto a Roma
e interpreta os “reis” como a série de imperadores romanos do primeiro século;
existem várias interpretações que fazem de tudo para provar que se trata de
Roma; porém, todas essas interpretações geram contradições históricas e não
deveriam ser apresentadas por uma exegese histórica.
Ireneo já demandava
uma interpretação da passagem com ajuda do livro de Daniel, uma interpretação
que, portanto, não fosse orientada pela história contemporânea, mas pelo que se
acha nos profetas. Essa leitura pode ser fortalecida pelas pontes lingüísticas
entre Apocalipse 17 e Daniel. Aí invés de uma série de imperadores, é preciso
recorrer a Daniel para construir a série de impérios mundiais.
Tendo em mente o
uso consistentemente simbólico dos números no Ap, ouçamos inicialmente o sete,
esse número simbólico de primeira grandeza. Nos sete “reis”, i.é, reinos, vemos
o número pleno dos reinos dessa era mundial como um único elevado panorama
montanhoso. A Babilônia está entronizada sobre essas potências mundiais.
Contudo, o fato de que esses “montes” que se acumulam e são contrários a Deus
estão submetidos ao número sete comunica ao povo de Deus que eles estão domados
dentro de uma medida fixada por Deus. Ele providencia para que as potências não
cresçam até o céu nem até a eternidade.
Por enquanto,
porém, o sete ainda não está completo, mas já passaram cinco. Cinco reinos
passados, isso significa, pois, que algo já foi arredondado.
Ao mesmo tempo o
cinco é um antigo número divisor. Algo ainda está para vir, mas também o
restante das constelações de poder cairá. Por fim, todas ruirão.
Sem ênfase alguma o
texto fala do presente: “um existe” (v.10) – como se falasse do vento! Esse
“um” seria o sexto, mas no atual contexto não se dá peso ao número seis.
No v.11 aparece em oitavo lugar o personagem que interessa no presente contexto. Por natureza o oitavo pertence aos sete, trazendo, por isso, as características de todas as potências mundiais, a característica de felino.
“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE – DECODIFICAÇÃO PARTE 5”
Apocalipse
18:4,5 “Ouvi outra voz do céu, dizendo:
Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para
não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam (como
uma montanha) até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou.”
RETIRAI-VOS DELA, POVO MEU.
O primeiro a fazer isso foi Abraão, saindo de Harã, confiando no chamado de Deus (Gn 12:1-4)
Falar de Babilônia
(em se tratando do livro do Apocalipse) não é falar de uma cidade literalmente,
não é falar de uma Babilônia geográfica, e sim de um sistema que tem o poder de
enriquecer, corromper, escravizar, seduzir.
Babilônia vai ser
chamada de a grande cidade, cidade delimita fronteiras, imaginemos uma cidade
murada, uma verdadeira prisão, uma verdadeira Matrix, uma verdadeira ilusão,
onde pessoas são controladas, escravizadas, e onde o sistema exerce sua
influência, seu poder sedutor.
Esse sistema aparece
na figura de uma mulher prostituta assentada sobre as águas que simboliza as
nações.
Logo, Babilônia
trata-se de um sistema prostituído, que não está limitado a uma região
específica, mas espalhado e presente em todas as nações do mundo sem exceção;
sistema este, que seduz, levando os homens a enriquecerem por meio dele, se envolvendo
e se corrompendo com tal sistema, se deixando ser escravizado pelo mesmo, que
está atualmente sob a influência do theos deste século, o espírito das
potestades que agora opera nos filhos da desobediência.
A exortação no
referente texto é para um deslocamento de
fiéis
não de uma cidade em si, pois o povo de Deus se encontra entre todas as nações
da terra inteira.
Não se trata de um êxodo geográfico.
Sair de uma posição geográfica e ir para outra, sem haver uma ruptura e um sair desse sistema
descrito na figura de Babilônia e de uma prostituta, significa estar novamente na Babilônia,
pois neste caso, a Babilônia
tem dimensões mundiais.
A Babilônia corrompe
e leva o ser humano levando-o para fora e distante da vontade de Deus.
Sair da Babilônia, fala de uma fuga para
dentro da prática da vontade de Deus.
Quem cumpre a vontade de Deus, e não se deixa ser
seduzido e corrompido por tal sistema prostituído controlado pelo theos deste
século, não desaparecerá com a
Babilônia, mas permanecerá eternamente (1 João 2:15-17)
Satanás usou essa
tática para seduzir e corromper o Filho de Deus!
O êxodo desta exortação tem dupla finalidade:
1)
PARA NÃO SERDES CÚMPLICES EM SEUS PECADOS.
Quando José se separou tão abruptamente da esposa de
Potifar [Gênesis
39:12], ele o fez seguramente por amor a Deus, porém em
última análise também a partir de um amor, corretamente entendido, por essa
irmã humana.
2)
PARA NÃO
PARTICIPARDES DOS SEUS FLAGELOS.
Participar da Babilônia significa afundar com a
Babilônia (Jeremias
51:6,45).
Sair desse sistema
prostituído, é indispensável para ser e permanecer
sendo um cristão autêntico, uma
igreja autêntica.
O juízo divino virá sobre este presente
sistema na figura de Babilônia e de prostituta, e a justificativa é: V 5 PORQUE OS SEUS PECADOS SE ACUMULARAM ATÉ AO CÉU.
Pense numa montanha de pecados que se amontoa até o céu, atingindo o limite
permitido por Deus.
Daí Deus responde. E DEUS SE LEMBROU DOS ATOS INÍQUOS QUE ELA PRATICOU.
“ANÁLISE PROFUNDA QUANTO A GRANDE BABILÔNIA DO APOCALIPSE –
DECODIFICAÇÃO PARTE 6”
Apocalipse 18:6-8 “Tornai a dar-lhe como também ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o pranto. Por isso, num mesmo dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será consumida no fogo; porque forte é o Senhor Deus que a julga.”
Essas solicitações
seguramente dirigem-se a anjos do juízo, cuja incumbência é executar a vingança
de Deus. Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro
segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai
dobrado para ela.
Nem em pensamentos
deveríamos atribuir a Deus uma avidez desmedida por vingança. A cada passo o Apocalipse
atesta sua justiça perfeita. A medida dobrada para a Babilônia explica-se pelo
fato de que a Babilônia não apenas viveu em pecado ela mesma, mas também se
tornou adicionalmente um poder de sedução de primeira grandeza, que arrastava o
mundo inteiro para o seu pecado. Por isso cabe-lhe não somente uma medida de
castigo para suas ações blasfemas diretas, mas uma segunda medida pela culpa
alheia, pela qual ela foi co-responsável.
Em Gálatas 6:7 Paulo
esclarece as correlações por meio de uma metáfora: “aquilo que o homem semear,
isso também ceifará”. A colheita sempre é multiplicação da semente. Colhe-se
uma quantia muitas vezes maior que o número de grãos espalhados. “Semeiam
ventos e segarão tormentas” (Oséias 8:7). Essa verdade é válida tanto no bem
como no mal. É por isso que pecar é tão terrível, possui tão longo alcance e
traz tantas conseqüências. Unicamente o poder de Jesus sobre a morte pode
consertar o que nós erramos e o que outros erraram através de nós.
A continuação nos
v.7,8 mostra que de forma alguma o v.6 deve ferir o rigoroso princípio da
correspondência entre culpa e castigo. O
QUANTO A SI MESMA SE GLORIFICOU E VIVEU EM LUXÚRIA, DAI-LHE EM IGUAL MEDIDA
TORMENTO E PRANTO. Em primeiro lugar havia no centro de seu pecado essa
autoglorificação, que violava o Soli Deo Gloria [Somente a Deus dai glória].
“Se houve arrogantemente contra o Senhor, contra o Santo de Israel” (Jeremias
50:29). É por isso que Deus “será contra todo soberbo e altivo e contra todo
aquele que se exalta… só o Senhor será exaltado” (Isaías 2:12-17; cf. Isaías 5:16).
O envio de Jesus
inseriu-se integralmente nesse serviço de aplainar todas as elevações
antidivinas (Lucas 1:51). À autoglorificação da Babilônia correspondia a vida
na luxúria (cf. v.3,9), pois quem gosta de se gabar também gosta de gastar. A
punição, no caso, é o despovoamento, como indica o lamento fúnebre (cf.
abaixo).
Segue-se uma
segunda correspondência. PORQUE DIZ
CONSIGO MESMA (“Pois dizia em seu coração”). Tanto no antigo testamento
quanto no novo testamento esse “falar no coração” evoca conversas funestas
consigo mesmo. Elas constituem o contraste perfeito da existência em oração. A
pessoa é seu próprio deus, comparece diante de seu próprio tribunal e gira em
torno de si mesma ao invés de orar. É fácil adivinhar o conteúdo: está
determinado por aquela avidez auto-satisfeita, acompanhada de incrível cegueira
sobre si próprio, como já sempre foi característico para pessoas que se
encontravam a um passo da queda.
Estreitamente
apoiada em Isaías 47:5,7,8, a Babilônia diz: ESTOU SENTADA (“entronizada”) COMO RAINHA. Essa cultura já pratica
um culto a si mesma. Gira em torno do próprio trono.
VIÚVA, NÃO SOU, diz a “mãe”
Babilônia e olha para o corre-corre nas ruas amplas, nas lojas movimentadas e
nos programas noturnos. PRANTO, NUNCA
HEI DE VER! (“E lamento fúnebre nunca hei de ver” [tradução do autor]). Ela
se sente segura como se fosse por mil anos (Daí entendemos o que Paulo escreveu
em 1 Tessalonicenses 5:1-3 “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não
necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o
dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo:
Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de
parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão.”).
Como resposta
precisa a seu falar, ouve-se: POR ISSO,
EM UM SÓ DIA, SOBREVIRÃO OS SEUS FLAGELOS. Seu solilóquio megalômano foi
“auscultado” e agora recebe uma resposta por parte de Deus. Ela, que se
comporta como cidade eterna, é arrasadoramente passageira. O motivo de um único
dia já transpareceu em Apocalipse 17:12 e se intensifica em Apocalipse 18:10,17,19,
formando a menção sobre uma só hora.
Em seguida
anuncia-se a tradicional trindade de flagelos MORTE, PRANTO (“lamento fúnebre”, “luto” E FOME. Por trás está o despovoamento através de guerra e peste,
que desencadeia o sofrimento da “viúva” Babilônia e não lhe permite nada além
de vegetar na fome e na pobreza. O incêndio também faz parte dessas
correspondências. E SERÁ CONSUMIDA NO
FOGO.
No v.10 constará:
“Tu, poderosa cidade!” Essa impressão humana está sendo corrigida agora: Deus é
poderoso! PORQUE PODEROSO É O SENHOR
DEUS, QUE A JULGOU. Enquanto Deus na verdade aparece no antigo testamento como
forte campeão guerreiro, no novo testamento acontece uma depuração. Deus é
forte por meio de seus argumentos fortes na disputa legal. E, por ter razão, a
razão também lhe é dada de modo irrefutável.
Na primeira metade
o v.21 contém a própria ação. ENTÃO, UM
ANJO FORTE LEVANTOU UMA PEDRA COMO GRANDE PEDRA DE MOINHO. A potência do
anjo erguido e a ênfase na magnitude da pedra não permitem pensar na pedra de
um moinho manual, um disco com diâmetro de apenas meio metro, que qualquer
mulher poderia acionar. Em contrapartida, a pedra de um “moinho de burros”
(como em Mateus 18:6; Marcos 9:42) possuía o peso de uma carga de camelo. Ela
era girada por dois burros. No centro encontrava-se um furo. Assim, objetos
podiam ser afixados nela e afundados com a pedra.
De acordo com Jeremias
51:63,64, Jeremias procede ao afundamento profético de uma pedra assim com um
livro atado nela. “Assim será afundada a Babilônia e não se levantará” (v.64).
O livro também ficaria por si só encharcado de água e afundaria aos poucos, mas
nesse ínterim alguém poderia pescá-lo e salvá-lo. A pedra de moinho, no
entanto, arrasta-o rápida e irremediavelmente para o fundo. No próximo instante
está desaparecido. Também no texto em análise a ênfase reside em que a ação de
juízo não permite notar nada que desse oportunidade a qualquer intervenção. A
pedra é lançada com ímpeto, com violência, e não pode ser detida.
Harriet
Beecher-Stowe encerrou sua obra famosa A Cabana do Pai Tomás com a frase: “Tão
certo como uma pedra de moinho afunda no oceano, abate-se sobre nações injustas
e cruéis a ira de Deus”.
ASSIM, COM ÍMPETO, SERÁ ARROJADA BABILÔNIA, A GRANDE
CIDADE, E NUNCA JAMAIS SERÁ ACHADA. Esse
desaparecimento sem deixar vestígios, como acontece justamente no afogamento,
repete-se nos v.21-23 e 14, ao todo sete vezes. A destruição da Babilônia é
irrevogável e definitiva. Não existe um ponto final mais claro.
E NELA SE ACHOU SANGUE DE PROFETAS, DE SANTOS E DE TODOS
OS QUE FORAM MORTOS SOBRE A TERRA. Foi portanto essa
a razão por que todas as boas dádivas dos v. 21-23 não mais foram achadas na
Babilônia, porque em suas ruas foi encontrado o sangue das testemunhas de Deus.
O fato de que a cidade silenciou esses lábios e lançou ao vento a última
advertência deles (Apocalipse 11:7) acarretou o ponto final para sua história
de culpa.
Está pressuposto
que essas testemunhas se posicionaram em nome de Deus a favor das pessoas e
contra aquela ideologia de mercador. Assim como no passado no Egito Deus
reclamou seus seres humanos da escravidão através de Moisés e Arão, assim a
ação se repete no fim dos dias. Contudo, como no passado o Faraó, a Babilônia
se opõe e também é esmagada como aquele reino ou afundada no mar como uma pedra.
À expressão SANGUE DE PROFETAS, DE SANTOS corresponde
“sangue de santos e testemunhas” em Apocalipse 17:6, de sorte que em
concordância com o cap. 11 resulta a equação profetas = testemunhas. A omissão
dos “apóstolos” do v. 20 não significa que o sangue deles foi derramado por alguém
diferente, mas no v. 20 “apóstolo” foi simplesmente acrescentado para formar
ali o número de três.
Seria o adendo E DE TODOS OS QUE FORAM MORTOS SOBRE A
TERRA tão-somente uma formulação paralela ao pensamento já externado?
Recordando Jeremias 51:49, compreendemos essa metade do versículo como
ampliação autêntica. Além dos mártires cristãos, são lembrados agora todos os
assassinados. Quem elimina o testemunho cristão, vai de injustiça em injustiça.
É por isso que o fim desse derramamento de sangue pela Babilônia também será o
fim de todo o derramamento de sangue.
E é Deus que trará esse fim!



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