quinta-feira, 12 de novembro de 2020

“A VINDA DO SENHOR”

 


“A VINDA DO SENHOR”


A vinda de Cristo, para reunir para si seu povo, tanto os vivos como os mortos (1 Ts. 4:13-17), é chamada de o Dia do Senhor (1 Ts. 5:2), como o é sua vinda para julgar o ímpio (2 Ts. 2:2).


A vista do fato de que o Cristo exaltado é o Senhor tanto para Paulo como para a igreja primitiva (Fp. 2:11. Rm. 10:9), seria óbvio que os esforços para distinguir entre o Dia do Senhor e o Dia de Cristo e encontrá-los em dois diferentes programas escatológicos, um para Israel e outro para a igreja, são equívocos.


Essa vinda se dá no Dia!


Que Dia?


Dia do Senhor (1 Ts. 5:2; 2 Ts. 2:2; cf. também At. 2:20; 2 Pe. 3:10);


O Dia do Senhor Jesus (1 Co. 5:5; 2 Co. 1:14); 


O Dia de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Co. 1:8);


O Dia de Jesus Cristo (Fp. 1:6);


O Dia de Cristo (Fp. 1:10; 2:16); 


Aquele Dia (2 Ts. 1:10; 2 Tm. 1:18).


Paulo usa três palavras para descrever o retorno do Senhor:


A primeira é PARÚCIA que pode significar tanto “presença” (Fp. 2:12) como “vinda” (1 Co. 16:17; 2 Co. 7:7). 


A palavra foi usada em um sentido semitécnico referindo-se à visita de pessoas de alta classe, especialmente de reis e imperadores a uma província. 


Desde sua ascensão, Cristo é retratado sentado à direita de Deus no céu.


Ele visitará a terra novamente, pessoalmente (veja At. 1:11), no fim dos tempos (veja Mt. 24:3), em poder e glória (veja Mt. 24:27), para ressuscitar os mortos em Cristo (1 Co. 15:23), para reunir seu povo para si (2 Ts. 2:1; cf. Mt. 24:31), e destruir o mal (2 Ts. 2:8; veja também 1 Ts. 2:19; 3:13; 4:15; 5:23).


A vinda de Cristo será também um APOKALYPSIS, como o ato de “desvelar” ou “descobrir” algo. 


O poder e a glória, que agora são novamente seus, devido à sua exaltação e retorno ao céu, devem ser revelados ao mundo. 


Cristo já foi elevado pela sua ressurreição e pela sua exaltação, à mão direita de Deus, onde lhe foi dada soberania sobre todos os inimigos espirituais (Ef. 1:20-23). 


Ele agora tem o nome que está acima de todo nome; é agora o Senhor exaltado (Fp. 2:9). 


Está agora reinando como rei à mão direita de Deus (1 Co. 15:25). 


Contudo, seu reino e seu senhorio não são evidentes ao mundo. 


Seu apokalypsis será a revelação, para o mundo, da glória e do poder que lhe pertencem (2 Ts. 1:7; 1 Co. 1:7; veja também 1 Pe. 1:7, 13). 


Assim, a segunda vinda de Cristo é inseparável de sua ascensão e de sua vida no céu, pois desvelará seu presente Senhorio para o mundo e será o meio pelo qual todo joelho, finalmente, se dobrará e toda língua reconhecerá seu Senhorio (Fp. 2:10-11).


Um terceiro termo é EPIPHANEIA, “aparição”, e indica a visibilidade do retomo de Cristo. 


Embora esse termo se limite bastante às Epístolas Pastorais, Paulo diz aos tessalonicenses que Cristo matará o iníquo com o sopro de sua boca e o destruirá “pela epiphaneia de sua parousia”

(2 Ts. 2:8). 


O retorno do Senhor não será nenhum evento secreto, oculto, mas a entrada da glória de Deus na história.


A conexão inseparável entre os dois atos na obra redentora de Cristo, é ilustrada pelo duplo uso de epiphaneia, para designar tanto a encarnação como a segunda vinda de Cristo. 


Deus já rompeu o poder da morte e expôs a realidade da vida e da imortalidade dentro da História, pela aparição (epiphaneia) de nosso Salvador Cristo Jesus em carne (2 Tm. 1:10). 


Contudo, esse não é o termo final da redenção. 


A esperança ainda nos aguarda no futuro, no “aparecimento (epiphaneia) da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt. 2:13). 


Diante desse uso duplo, as objeções ocasionalmente feitas contra se falar em uma “segunda vinda” de Cristo são sobretudo críticas.


A teologia dispensacional divide o retomo de Cristo em duas partes: uma vinda secreta para a igreja antes da grande tribulação, e uma aparição gloriosa no final da tribulação, para trazer a salvação a Israel e estabelecer seu reino milenar. 


Essas duas vindas são comumente chamadas de arrebatamento e revelação. 


Embora os teólogos dispensacionalistas mantenham a opinião de uma dupla vinda de Cristo, muitos dos argumentos exegéticos comuns rendem-se às evidências do texto. 


De fato, Walvoord chega a admitir que o “pré-tribulacionismo”, isto é, uma vinda de Cristo para a igreja antes da grande tribulação, não é explicitamente ensinada nas Escrituras.


Essa é uma admissão significativa. 


O fato é que a esperança da igreja não é de um evento secreto, que não seja visto pelo mundo. 


A esperança cristã é o aparecimento visível da glória de Deus no retorno de Cristo (Tt. 2:13), a revelação ao mundo de Jesus como Senhor, quando vier com seus anjos poderosos (2 Ts. 1:7).


Argumenta-se, com freqüência, para defender a idéia de uma dupla vinda de Cristo, que, se Ele virá com “todos os seus santos” (1 Ts. 3:13), deve, necessariamente, ter vindo antes “para” eles. 


Sua vinda para seus santos é o arrebatamento, no começo da grande tribulação; sua vinda “com todos os seus santos” é um evento posterior, no final da tribulação. 


Alguns entendem que esta expressão, no entanto, não fornece nenhuma prova para esse ponto de vista das duas vindas de Cristo. 


Se os “santos” (hagioi, “os santificados”) de 1 Tessalonicenses 3:13 são seres humanos redimidos, isto não diz mais do que 1 Tessalonicenses 4:14, em que Paulo afirma que, na vinda de Cristo para arrebatar a igreja, “aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele”. 


Contudo, os “santos” de 1 Tessalonicenses 3:13 podem ser outra referência aos anjos que acompanharão o Senhor, em seu retorno.


O fundamento dessa linguagem da vinda de Cristo em glória é a linguagem da teofania do Antigo Testamento. 


O Antigo Testamento concebe Deus operando na história, para completar seus propósitos de redenção; mas também aguarda o dia da visitação divina quando Deus virá em juízo e salvação, para estabelecer seu Reino. 


No Novo Testamento, esta teofania divina é cumprida na vinda de Cristo; e o retorno glorioso do Senhor é necessário para trazer salvação ao seu povo (1 Ts. 5:8-9) e julgamento para os maus (2 Ts. 1:7-8), e para estabelecer no mundo o Reino que agora é seu (2 Tm. 4:1).


A teologia da vinda de Cristo é a mesma, tanto em Paulo como nos Sinópticos. 


A salvação não é uma questão relacionada apenas ao destino da alma individual. 


Ela inclui todo o curso da história humana e a humanidade como um todo. 


A vinda de Cristo é um evento definitivo, para todos os homens; significa salvação ou juízo. 


Além disso, a salvação não é meramente uma questão individual; diz respeito a todo o povo de Deus, e isto inclui a transformação de toda esta ordem física.


Essa redenção é uma obra totalmente de Deus. 


A vinda de Cristo é um evento cósmico no qual Deus, que visitou os homens no humilde Jesus histórico, visitá-los-á novamente no Cristo glorificado. 


A meta da redenção é nada menos do que o estabelecimento da lei de Deus em todo o mundo, para que Deus seja tudo em todos” (1 Co. 15:28).

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